GEOPOLÍTICA DO PETRÓLEO E DO GÁS NATURAL
Alan Larson - Subsecretário para Assuntos Econômicos e Agrícolas do Departamento de Estado dos EUA
Garantir a segurança dos suprimentos globais de energia exigirá políticas que incentivem o uso de tecnologias energéticas mais modernas e limpas e que ao mesmo tempo se voltem para os desafios políticos decorrentes da crescente demanda mundial por petróleo e gás natural, diz Larson. A política dos EUA procura estimular a expansão e a diversificação do suprimento energético mundial e promover a transparência, bem como as instituições democráticas que ajudam os países produtores de energia a utilizar seus recursos da forma mais produtiva possível.
A energia é o elemento vital da economia mundial. Apesar dos esforços para aumentar a eficiência energética e dos investimentos em desenvolvimento de novas tecnologias energéticas, o petróleo e o gás natural continuarão decisivos por muitos anos. O desenvolvimento econômico mundial acarreta o crescimento da demanda global por petróleo e gás no curto prazo. O mais significativo porém é que o rápido crescimento da China e o aumento na demanda total de energia continuam a afetar os mercados energéticos. Alguns analistas estimam que a China sozinha poderia ser responsável por um terço do aumento marginal mundial da demanda de petróleo nos próximos anos.
Portanto, o mundo precisa descobrir e desenvolver suprimentos mais confiáveis de petróleo e gás a preços que permitam sustentar o crescimento econômico. Infelizmente, o setor petrolífero reconhece quase com unanimidade que o petróleo e o gás são mais encontrados em países com regimes políticos controversos ou geografia física difícil.
Várias realidades compõem nossas idéias sobre segurança energética e sobre como devemos assegurar nossos suprimentos energéticos:
Dois terços das reservas mundiais de petróleo conhecidas estão localizadas no Oriente Médio.
A importação supre aproximadamente metade do petróleo e 15% do gás natural consumido pelos Estados Unidos e até uma parcela maior das necessidades de alguns de seus aliados e parceiros econômicos mais importantes.
Choques de fornecimento de petróleo em qualquer região do mundo terão um impacto na economia dos EUA por meio da operação instantânea dos mercados internacionais de petróleo.
CONFIABILIDADE POR MEIO DA DIVERSIFICAÇÃO
Os investimentos em energia são dispendiosos e implicam em riscos, além de exigirem compromissos de longo prazo. Ciente dessa realidade, a política de energia dos EUA procura incentivar a expansão e a diversificação das fontes de suprimentos energéticos. Várias regiões estão atraindo cada vez mais o interesse de companhias de energia nos EUA e em outros lugares. Percebemos perspectivas interessantes na ampliação da produção de petróleo e de gás na região do Mar Cáspio, na Rússia, na África Ocidental e na América do Norte e do Sul e a expectativa de uma maior produção de petróleo e gás no Oriente Médio. Em cada uma dessas regiões, nossa política visa a apoiar o desenvolvimento privado de recursos energéticos por meio da redução da incerteza política que, de outra forma, poderia prejudicar o investimento necessário.
A Rússia e a bacia do Mar Cáspio
A Rússia já é uma superpotência energética. Mas, para desenvolver completamente seu potencial, precisa fortalecer a governança corporativa e o marco jurídico/regulatório comercial, tornar seu ambiente financeiro mais favorável ao investimento estrangeiro, permitir a concorrência no sistema de transportes, abrir as companhias de gás e de petróleo Gazprom e Transneft às reformas e à concorrência, melhorar a capacitação tecnológica e nivelar os preços domésticos de energia aos níveis mundiais.
A bacia do Cáspio tem um potencial enorme, com a possibilidade de aumentar a produção de 1,6 milhões de barris/dia (b/d), em 2001, para 5 milhões de b/d, em 2010. As principais questões do desenvolvimento energético na região da bacia do Cáspio atualmente são: 1) terminar o segundo pilar do Corredor Energético Leste-Oeste por meio do gasoduto para gás natural do Sul do Cáucaso; 2) tornar o ambiente financeiro mais favorável ao investimento na região; e 3) trazer o petróleo do Cazaquistão para o corredor Leste-Oeste.
Vários dutos que transportam economicamente recursos do Mar Cáspio para o mercado mundial reforçam a soberania e a viabilidade econômica dos novos Estados-nações da região. Os esforços dos EUA na região do Mar Cáspio visam a um aumento de ¾ nos suprimentos, sem incluir uma quantidade equivalente obtida do apoio aos esforços russos para desenvolver seu potencial de exportação energética.
África
A África está desempenhando um papel cada vez mais importante como fornecedor de energia para os EUA e os mercados globais. Em 2003, Nigéria e Angola encontravam-se entre os dez maiores fornecedores de petróleo para os Estados Unidos. A produção de petróleo produz uma renda considerável em países como Nigéria, Angola, Gabão, Guiné Equatorial, República do Congo, Chade e Camarões. São Tomé e Mauritânia também podem se tornar fornecedores nos próximos anos. O investimento direto estrangeiro é necessário para desenvolver os recursos energéticos africanos, visto que muitos dos novos campos petrolíferos estão em águas profundas e requerem instalações avançadas, intensivas em capital, para serem explorados. A produção crescente de petróleo e gás pode ser um potente motor do desenvolvimento econômico nacional nesses países. Entretanto, a experiência do Delta do Nilo, em 2002, onde manifestantes atacaram instalações de petróleo, causando a interrupção temporária de seu funcionamento, mostra que o petróleo também pode ser uma força desintegradora se a receita que produz em um determinado país não for administrada de maneira justa e transparente. A Nigéria aprendeu com a experiência do Delta do Nilo e está se tornando um exemplo de transparência e possibilidade de reforma econômica graças à receita do petróleo. Os EUA esperam que outros países africanos sigam esse exemplo.
América do Norte
As fontes de energia mais importantes e confiáveis para os Estados Unidos são seus vizinhos e, com dois deles, Canadá e México, estão estreitando a cooperação energética. Especialistas em energia sênior do Canadá, México e dos Estados Unidos divulgaram recentemente o relatório Quadro Energético Norte-Americano (North American Energy Picture) que pela primeira vez avalia conjuntamente reservas energéticas, balanços comerciais e fluxos energéticos. O que geralmente não se reconhece é que o comércio de energia na América do Norte é uma via de duas mãos. O México está se tornando uma fonte importante de importação de petróleo pelos EUA. Ao mesmo tempo, os Estados Unidos são um exportador de gás natural liquefeito para o México, e suas refinarias são responsáveis por mais de 15% dos produtos à base de derivados de petróleo no México.
A confiabilidade do comércio energético norte-americano é acentuada pela proximidade geográfica. Porém, mais importante do que a geografia é o Estado de Direito e as condições previsíveis de investimentos criados pelo Acordo de Livre Comércio da América do Norte, as redes integradas de dutos e os relacionamentos confiáveis de fornecimento de longo prazo. Estamos trabalhando permanentemente para intensificar essa estrutura de Estado de Direito e de condições previsíveis de investimentos na América do Norte, mesmo pretendendo criar estruturas semelhantes em outras regiões.
Venezuela
A Venezuela e os Estados Unidos já tiveram laços históricos fortes referentes à energia. A política petrolífera da Venezuela, até recentemente, baseava-se em uma reputação de confiabilidade. Infelizmente, as ações e declarações de partidos de várias tendências nos últimos 18 meses colocaram em questão a prioridade que os venezuelanos colocam em sua reputação como fornecedor confiável de petróleo. Os Estados Unidos continuarão a ajudar os venezuelanos a resolverem suas diferenças políticas. Mas até que se alcance uma solução constitucional, democrática, pacífica e eleitoral, e que o nível de retórica seja reduzido, os mercados energéticos mundiais simplesmente não podem encarar a Venezuela com a mesma confiança de antes. Quando os partidos venezuelanos demonstrarem um compromisso com a reconciliação, encontrarão nos Estados Unidos um parceiro disposto e pronto a colaborar.
Arábia Saudita e produtores do Golfo
O Oriente Médio detém cerca de dois terços das reservas petrolíferas mundiais comprovadas. O tamanho das reservas, juntamente com o baixo custo de produção, garante que essa região continuará a desempenhar um papel no mercado energético mundial. A Arábia Saudita tem um papel fundamental nos mercados petrolíferos globais como maior exportador de petróleo. Além disso, a Arábia Saudita mantém a segurança energética internacional mantendo uma considerável capacidade de produção extra que pode ser rapidamente ativada em caso de interrupção grave de fornecimento em qualquer lugar do mundo.
A diversificação dos fornecimentos globais de petróleo não deve ser interpretada como uma forma de não depender da Arábia Saudita ou de outros produtores do Golfo. Os produtores do Golfo continuarão a ter um papel indispensável no mercado mundial e são incentivados pelos Estados Unidos a aumentar os investimentos com capital estrangeiro e a expandir os fornecimentos de forma constante. O que buscamos é atingir um equilíbrio maior e um mercado petrolífero mais flexível, com maior resiliência, sensível às sinalizações de preços.
Nesse sentido, os produtores do Golfo poderiam conseguir maiores benefícios se abrissem suas economias a mais investimentos privados de modo que a capacidade petrolífera e de gás pudesse aumentar e os fornecimentos energéticos respondessem melhor às alterações na demanda. Esse processo de investimento está começando no setor de gás natural. Inicialmente utilizado apenas na região ou desperdiçado na perigosa queima de gás em flares, o gás natural em forma de gás natural liquefeito (GNL) tornou-se uma fonte energética cada vez mais comercializada globalmente em mercados importantes. O Catar está trabalhando com as principais companhias internacionais de energia para tornar-se líder na exportação de GNL.
Nos Emirados Árabes Unidos, o bem sucedido projeto de privatização de energia e água de Taweelah é outro exemplo do papel dinâmico que o investimento com capital estrangeiro pode desempenhar no setor energético. Os Estados Unidos apóiam essas iniciativas positivas de investimento privado porque expandem e diversificam suas fontes energéticas, dão oportunidades para as companhias dos EUA e propiciam o crescimento econômico nas nações produtoras de energia.
PROMOÇÃO DA TRANSPARÊNCIA E DE UM AMBIENTE FAVORÁVEL AO INVESTIMENTO
Promover a transparência e a boa governança é uma parte fundamental da estratégia de incentivo à diversificação dos EUA. Os projetos para petróleo e gás são polêmicos em muitos países em desenvolvimento porque os fluxos de receitas permanecem ocultos ou são desviados e os cidadãos médios acham que não se beneficiam com a riqueza natural do país. Os Estados Unidos desejam que os países produtores de petróleo invistam suas receitas energéticas no desenvolvimento econômico consistente e sustentável de suas populações, não só porque essa é a atitude correta, mas também porque assim se constrói o apoio político para o futuro desenvolvimento de projetos energéticos. Os processos democráticos e o desenvolvimento de instituições de governo responsáveis promovem a estabilidade política e econômica, a utilização da riqueza mineral na redução da pobreza e no desenvolvimento econômico e a redução de conflitos relacionados ao petróleo em países produtores de energia no mundo todo.
Uma abordagem ampla da transparência é particularmente importante. Na Cúpula do G-8 de junho de 2003, o presidente Bush e outros líderes endossaram um plano de ação abrangente para lutar contra a corrupção e melhorar a transparência. A essência dessa abordagem é criar parceria para fornecer aos países anfitriões dispostos apoio técnico e político para fortalecer as instituições nacionais e aumentar a transparência e a responsabilidade. Queremos dirigir a atenção especificamente para orçamento, compras governamentais e transparência nas concessões, incluindo o apoio do G-8 às necessidades técnicas detectadas por especialistas.
Além de apoio aos planos de ação de países em desenvolvimento nessas áreas, os líderes do G-8 se comprometeram a:
negar asilo a líderes corruptos e seus bens por meio da recusa da concessão de vistos a funcionários corruptos, entre outras medidas;
pressionar para a implementação acelerada da Convenção Anti-Suborno da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico; e
incentivar o Banco Mundial e outras instituições financeiras internacionais a insistir em uma maior transparência na utilização dos fundos por parte dos países recebedores de empréstimos.
Os países do G-8 estão apoiando os pactos voluntários entre governos, companhias que operam nesses países e sociedade civil para melhorar a transparência na gestão financeira e responsabilidade públicas. Esses pactos definem o compromisso político do G-8 e dos governos anfitriões em alcançar objetivos específicos de transparência mutuamente acordados, com a assistência do G-8 e de instituições financeiras internacionais e a consumar um plano de ação específico para essa finalidade.
CONCLUSÃO
No longo prazo necessitamos de tecnologias novas como a de hidrogênio e de seqüestro de carbono, capazes de impulsionar a economia e ao mesmo tempo aumentar a segurança energética e minimizar o impacto ambiental da utilização de energia. Nesse ínterim, nossa política internacional de energia precisa enfrentar os desafios familiares da economia dependente de hidrocarbonetos, cujas reservas petrolíferas estão concentradas em várias regiões contenciosas do mundo. A transparência e a boa governança são cada vez mais importantes para apoiar os investimentos internacionais em desenvolvimento energético em regiões com oportunidades para a produção de energia. Os Estados Unidos continuarão a empenhar-se fortemente com parceiros de energia em todo o mundo para diversificar as fontes de fornecimento, melhorar as oportunidades de investimentos e garantir que as forças do mercado trabalhem com o máximo de transparência e eficiência possíveis.
Alan Larson - Subsecretário para Assuntos Econômicos e Agrícolas do Departamento de Estado dos EUA
Garantir a segurança dos suprimentos globais de energia exigirá políticas que incentivem o uso de tecnologias energéticas mais modernas e limpas e que ao mesmo tempo se voltem para os desafios políticos decorrentes da crescente demanda mundial por petróleo e gás natural, diz Larson. A política dos EUA procura estimular a expansão e a diversificação do suprimento energético mundial e promover a transparência, bem como as instituições democráticas que ajudam os países produtores de energia a utilizar seus recursos da forma mais produtiva possível.
A energia é o elemento vital da economia mundial. Apesar dos esforços para aumentar a eficiência energética e dos investimentos em desenvolvimento de novas tecnologias energéticas, o petróleo e o gás natural continuarão decisivos por muitos anos. O desenvolvimento econômico mundial acarreta o crescimento da demanda global por petróleo e gás no curto prazo. O mais significativo porém é que o rápido crescimento da China e o aumento na demanda total de energia continuam a afetar os mercados energéticos. Alguns analistas estimam que a China sozinha poderia ser responsável por um terço do aumento marginal mundial da demanda de petróleo nos próximos anos.
Portanto, o mundo precisa descobrir e desenvolver suprimentos mais confiáveis de petróleo e gás a preços que permitam sustentar o crescimento econômico. Infelizmente, o setor petrolífero reconhece quase com unanimidade que o petróleo e o gás são mais encontrados em países com regimes políticos controversos ou geografia física difícil.
Várias realidades compõem nossas idéias sobre segurança energética e sobre como devemos assegurar nossos suprimentos energéticos:
Dois terços das reservas mundiais de petróleo conhecidas estão localizadas no Oriente Médio.
A importação supre aproximadamente metade do petróleo e 15% do gás natural consumido pelos Estados Unidos e até uma parcela maior das necessidades de alguns de seus aliados e parceiros econômicos mais importantes.
Choques de fornecimento de petróleo em qualquer região do mundo terão um impacto na economia dos EUA por meio da operação instantânea dos mercados internacionais de petróleo.
CONFIABILIDADE POR MEIO DA DIVERSIFICAÇÃO
Os investimentos em energia são dispendiosos e implicam em riscos, além de exigirem compromissos de longo prazo. Ciente dessa realidade, a política de energia dos EUA procura incentivar a expansão e a diversificação das fontes de suprimentos energéticos. Várias regiões estão atraindo cada vez mais o interesse de companhias de energia nos EUA e em outros lugares. Percebemos perspectivas interessantes na ampliação da produção de petróleo e de gás na região do Mar Cáspio, na Rússia, na África Ocidental e na América do Norte e do Sul e a expectativa de uma maior produção de petróleo e gás no Oriente Médio. Em cada uma dessas regiões, nossa política visa a apoiar o desenvolvimento privado de recursos energéticos por meio da redução da incerteza política que, de outra forma, poderia prejudicar o investimento necessário.
A Rússia e a bacia do Mar Cáspio
A Rússia já é uma superpotência energética. Mas, para desenvolver completamente seu potencial, precisa fortalecer a governança corporativa e o marco jurídico/regulatório comercial, tornar seu ambiente financeiro mais favorável ao investimento estrangeiro, permitir a concorrência no sistema de transportes, abrir as companhias de gás e de petróleo Gazprom e Transneft às reformas e à concorrência, melhorar a capacitação tecnológica e nivelar os preços domésticos de energia aos níveis mundiais.
A bacia do Cáspio tem um potencial enorme, com a possibilidade de aumentar a produção de 1,6 milhões de barris/dia (b/d), em 2001, para 5 milhões de b/d, em 2010. As principais questões do desenvolvimento energético na região da bacia do Cáspio atualmente são: 1) terminar o segundo pilar do Corredor Energético Leste-Oeste por meio do gasoduto para gás natural do Sul do Cáucaso; 2) tornar o ambiente financeiro mais favorável ao investimento na região; e 3) trazer o petróleo do Cazaquistão para o corredor Leste-Oeste.
Vários dutos que transportam economicamente recursos do Mar Cáspio para o mercado mundial reforçam a soberania e a viabilidade econômica dos novos Estados-nações da região. Os esforços dos EUA na região do Mar Cáspio visam a um aumento de ¾ nos suprimentos, sem incluir uma quantidade equivalente obtida do apoio aos esforços russos para desenvolver seu potencial de exportação energética.
África
A África está desempenhando um papel cada vez mais importante como fornecedor de energia para os EUA e os mercados globais. Em 2003, Nigéria e Angola encontravam-se entre os dez maiores fornecedores de petróleo para os Estados Unidos. A produção de petróleo produz uma renda considerável em países como Nigéria, Angola, Gabão, Guiné Equatorial, República do Congo, Chade e Camarões. São Tomé e Mauritânia também podem se tornar fornecedores nos próximos anos. O investimento direto estrangeiro é necessário para desenvolver os recursos energéticos africanos, visto que muitos dos novos campos petrolíferos estão em águas profundas e requerem instalações avançadas, intensivas em capital, para serem explorados. A produção crescente de petróleo e gás pode ser um potente motor do desenvolvimento econômico nacional nesses países. Entretanto, a experiência do Delta do Nilo, em 2002, onde manifestantes atacaram instalações de petróleo, causando a interrupção temporária de seu funcionamento, mostra que o petróleo também pode ser uma força desintegradora se a receita que produz em um determinado país não for administrada de maneira justa e transparente. A Nigéria aprendeu com a experiência do Delta do Nilo e está se tornando um exemplo de transparência e possibilidade de reforma econômica graças à receita do petróleo. Os EUA esperam que outros países africanos sigam esse exemplo.
América do Norte
As fontes de energia mais importantes e confiáveis para os Estados Unidos são seus vizinhos e, com dois deles, Canadá e México, estão estreitando a cooperação energética. Especialistas em energia sênior do Canadá, México e dos Estados Unidos divulgaram recentemente o relatório Quadro Energético Norte-Americano (North American Energy Picture) que pela primeira vez avalia conjuntamente reservas energéticas, balanços comerciais e fluxos energéticos. O que geralmente não se reconhece é que o comércio de energia na América do Norte é uma via de duas mãos. O México está se tornando uma fonte importante de importação de petróleo pelos EUA. Ao mesmo tempo, os Estados Unidos são um exportador de gás natural liquefeito para o México, e suas refinarias são responsáveis por mais de 15% dos produtos à base de derivados de petróleo no México.
A confiabilidade do comércio energético norte-americano é acentuada pela proximidade geográfica. Porém, mais importante do que a geografia é o Estado de Direito e as condições previsíveis de investimentos criados pelo Acordo de Livre Comércio da América do Norte, as redes integradas de dutos e os relacionamentos confiáveis de fornecimento de longo prazo. Estamos trabalhando permanentemente para intensificar essa estrutura de Estado de Direito e de condições previsíveis de investimentos na América do Norte, mesmo pretendendo criar estruturas semelhantes em outras regiões.
Venezuela
A Venezuela e os Estados Unidos já tiveram laços históricos fortes referentes à energia. A política petrolífera da Venezuela, até recentemente, baseava-se em uma reputação de confiabilidade. Infelizmente, as ações e declarações de partidos de várias tendências nos últimos 18 meses colocaram em questão a prioridade que os venezuelanos colocam em sua reputação como fornecedor confiável de petróleo. Os Estados Unidos continuarão a ajudar os venezuelanos a resolverem suas diferenças políticas. Mas até que se alcance uma solução constitucional, democrática, pacífica e eleitoral, e que o nível de retórica seja reduzido, os mercados energéticos mundiais simplesmente não podem encarar a Venezuela com a mesma confiança de antes. Quando os partidos venezuelanos demonstrarem um compromisso com a reconciliação, encontrarão nos Estados Unidos um parceiro disposto e pronto a colaborar.
Arábia Saudita e produtores do Golfo
O Oriente Médio detém cerca de dois terços das reservas petrolíferas mundiais comprovadas. O tamanho das reservas, juntamente com o baixo custo de produção, garante que essa região continuará a desempenhar um papel no mercado energético mundial. A Arábia Saudita tem um papel fundamental nos mercados petrolíferos globais como maior exportador de petróleo. Além disso, a Arábia Saudita mantém a segurança energética internacional mantendo uma considerável capacidade de produção extra que pode ser rapidamente ativada em caso de interrupção grave de fornecimento em qualquer lugar do mundo.
A diversificação dos fornecimentos globais de petróleo não deve ser interpretada como uma forma de não depender da Arábia Saudita ou de outros produtores do Golfo. Os produtores do Golfo continuarão a ter um papel indispensável no mercado mundial e são incentivados pelos Estados Unidos a aumentar os investimentos com capital estrangeiro e a expandir os fornecimentos de forma constante. O que buscamos é atingir um equilíbrio maior e um mercado petrolífero mais flexível, com maior resiliência, sensível às sinalizações de preços.
Nesse sentido, os produtores do Golfo poderiam conseguir maiores benefícios se abrissem suas economias a mais investimentos privados de modo que a capacidade petrolífera e de gás pudesse aumentar e os fornecimentos energéticos respondessem melhor às alterações na demanda. Esse processo de investimento está começando no setor de gás natural. Inicialmente utilizado apenas na região ou desperdiçado na perigosa queima de gás em flares, o gás natural em forma de gás natural liquefeito (GNL) tornou-se uma fonte energética cada vez mais comercializada globalmente em mercados importantes. O Catar está trabalhando com as principais companhias internacionais de energia para tornar-se líder na exportação de GNL.
Nos Emirados Árabes Unidos, o bem sucedido projeto de privatização de energia e água de Taweelah é outro exemplo do papel dinâmico que o investimento com capital estrangeiro pode desempenhar no setor energético. Os Estados Unidos apóiam essas iniciativas positivas de investimento privado porque expandem e diversificam suas fontes energéticas, dão oportunidades para as companhias dos EUA e propiciam o crescimento econômico nas nações produtoras de energia.
PROMOÇÃO DA TRANSPARÊNCIA E DE UM AMBIENTE FAVORÁVEL AO INVESTIMENTO
Promover a transparência e a boa governança é uma parte fundamental da estratégia de incentivo à diversificação dos EUA. Os projetos para petróleo e gás são polêmicos em muitos países em desenvolvimento porque os fluxos de receitas permanecem ocultos ou são desviados e os cidadãos médios acham que não se beneficiam com a riqueza natural do país. Os Estados Unidos desejam que os países produtores de petróleo invistam suas receitas energéticas no desenvolvimento econômico consistente e sustentável de suas populações, não só porque essa é a atitude correta, mas também porque assim se constrói o apoio político para o futuro desenvolvimento de projetos energéticos. Os processos democráticos e o desenvolvimento de instituições de governo responsáveis promovem a estabilidade política e econômica, a utilização da riqueza mineral na redução da pobreza e no desenvolvimento econômico e a redução de conflitos relacionados ao petróleo em países produtores de energia no mundo todo.
Uma abordagem ampla da transparência é particularmente importante. Na Cúpula do G-8 de junho de 2003, o presidente Bush e outros líderes endossaram um plano de ação abrangente para lutar contra a corrupção e melhorar a transparência. A essência dessa abordagem é criar parceria para fornecer aos países anfitriões dispostos apoio técnico e político para fortalecer as instituições nacionais e aumentar a transparência e a responsabilidade. Queremos dirigir a atenção especificamente para orçamento, compras governamentais e transparência nas concessões, incluindo o apoio do G-8 às necessidades técnicas detectadas por especialistas.
Além de apoio aos planos de ação de países em desenvolvimento nessas áreas, os líderes do G-8 se comprometeram a:
negar asilo a líderes corruptos e seus bens por meio da recusa da concessão de vistos a funcionários corruptos, entre outras medidas;
pressionar para a implementação acelerada da Convenção Anti-Suborno da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico; e
incentivar o Banco Mundial e outras instituições financeiras internacionais a insistir em uma maior transparência na utilização dos fundos por parte dos países recebedores de empréstimos.
Os países do G-8 estão apoiando os pactos voluntários entre governos, companhias que operam nesses países e sociedade civil para melhorar a transparência na gestão financeira e responsabilidade públicas. Esses pactos definem o compromisso político do G-8 e dos governos anfitriões em alcançar objetivos específicos de transparência mutuamente acordados, com a assistência do G-8 e de instituições financeiras internacionais e a consumar um plano de ação específico para essa finalidade.
CONCLUSÃO
No longo prazo necessitamos de tecnologias novas como a de hidrogênio e de seqüestro de carbono, capazes de impulsionar a economia e ao mesmo tempo aumentar a segurança energética e minimizar o impacto ambiental da utilização de energia. Nesse ínterim, nossa política internacional de energia precisa enfrentar os desafios familiares da economia dependente de hidrocarbonetos, cujas reservas petrolíferas estão concentradas em várias regiões contenciosas do mundo. A transparência e a boa governança são cada vez mais importantes para apoiar os investimentos internacionais em desenvolvimento energético em regiões com oportunidades para a produção de energia. Os Estados Unidos continuarão a empenhar-se fortemente com parceiros de energia em todo o mundo para diversificar as fontes de fornecimento, melhorar as oportunidades de investimentos e garantir que as forças do mercado trabalhem com o máximo de transparência e eficiência possíveis.